É muito comum se sentir assombrada pela sensação de que não pertencemos a este lugar, a este cargo, ao papel de líder. Esta é uma crença limitante que, por vezes, nos paralisa e nos faz acreditar que não merecemos ou não temos competência para estar ali.

Por outro lado, como Glennon Doyle apresenta muito bem em seu livro Indomável, “há uma voz que anseia por algo mais dentro de cada mulher. Existe nelas um esforço constante para serem boas em tudo: boas esposas, boas filhas, boas mães, boas profissionais e boas amigas. Elas esperam que todo esse esforço as deixe satisfeitas. Mas, em vez disso, ficam cansadas e sobrecarregadas. Observam suas vidas e se perguntam: as coisas não deveriam ser melhores? No entanto, aprendem a ignorar essa questão. Precisam se sentir gratas pelo que têm e devem esconder a insatisfação, até de si mesmas”.

Costumo chamar isso de síndrome do impostor. Mas, calma, o objetivo aqui é te dizer que podemos e merecemos estar aqui e ser uma liderança forte e feminina.

Eu vim de uma família muito humilde, simples, do interior e nem por isso me deixei levar pelo que pensavam ou falavam sobre mim. Me lembro como se fosse hoje, quando aos 16 anos, meus pais mudaram de cidade e eu decidi que iria ficar, estudar, trabalhar e praticar o esporte que eu mais amava na vida: voleibol.

Foram anos muito difíceis. Meus pais não tinham condições financeiras para me manter ali, então, eu comecei a trabalhar para complementar nas despesas que eu tinha para poder me manter.

Naquela época eu nem imaginava o que viria pela frente, apenas tinha na minha cabeça que, se eu quisesse ser alguém na vida, teria que estudar e muito.

E que, para isso, eu não poderia deixar as expectativas alheias tomarem conta da minha vida. Eu precisava parar de tentar ser boa para poder ser livre, eu precisava parar de tentar ser agradável e começar a viver a minha história, a minha vida.

E, assim, se passaram alguns anos e eu fui me desenvolvendo e, acima de tudo, criando autoconfiança e rompendo crenças limitantes. Cada pequeno passo era uma grande conquista e fazia brotar, dentro de mim, o sentimento de que eu estava no caminho certo.

Aprendi que a presença feminina requer que estejamos sintonizadas com nosso propósito de vida, nossos sentimentos, crenças e valores mais verdadeiros. Precisamos conhecer nossas habilidades e conhecer a nós mesmas, sermos verdadeiras com tudo que nos propusermos a fazer.

Quando manifestamos a síndrome do impostor, vivemos o oposto disso. Pensamos que não somos bons o suficiente, que o outro é melhor e nos preocupamos excessivamente com o que os outros vão dizer. Depositamos muito valor ao julgamento alheio e passamos a dançar conforme a música, mas não a nossa música, a do outro.

Você sabe quem é o outro? O filho, o marido, o trabalho, os amigos…

Sabe quando eu despertei de verdade?

Quando eu entendi que o primeiro passo deveria ser em minha direção, que dançar conforme a minha música era maravilhoso e reconfortante para o meu coração, para o “meu eu”.

Por mais que tenha dificuldades no caminho, foque na sua presença de corpo e alma. Invista seu tempo e sua energia naquilo que te trouxer alegria, satisfação, paz e, acima de tudo, autoconsciência.

Autoliderança e crescimento profissional

Costumo dizer que, no caminho de exercermos a nossa liderança feminina, precisamos liderar, primeiramente, a nós mesmas. Somente quando você assume o controle total sobre a sua vida, consciente dos seus pontos fortes e suas fraquezas, sabe qual a direção certa para guiar seus pensamentos, emoções e atitudes. Quando isso acontece, você possui autoliderança.

Do ponto de vista individual, a mulher que conquista mais consciência sobre as suas próprias características vislumbra a oportunidade de utilizá-las e moldá-las a seu favor, trabalhando as suas limitações e potencializando seus próprios pontos fortes. Isso é excelente para o seu desenvolvimento pessoal, afinal, quando trabalhamos o autoconhecimento, conseguimos aceitar as nossas características e transformar as coisas que julgamos passíveis de aprimoramento. Mas, para além disso, possibilidades se abrem também no horizonte profissional.

No mundo dos negócios, a visão e as habilidades femininas são diretamente relacionadas à construção de relações e realidades mais positivas nas empresas. De acordo com estudos recentes, mulheres em cargos de liderança se mostraram mais eficientes à frente das organizações durante a pandemia, apresentando resultados positivos e consolidando um maior engajamento da equipe.

Conforme pesquisa publicada pela Harvard Business Review, num comparativo com gestores homens, as mulheres foram classificadas de forma mais positiva em 13 das 19 competências gerais de liderança, sobressaindo-se principalmente no uso de habilidades interpessoais – as soft skills -, como colaboração, trabalho em equipe e motivação.

Ou seja: para uma mulher que conquista a autoliderança e desenvolve as suas competências através da inteligência emocional, o céu é o limite!

Ao assumir com mais segurança esses diferenciais, as mulheres não apenas conquistaram o devido reconhecimento do seu potencial, como passaram a ocupar cargos de liderança dentro de suas empresas. Aqui no Brasil, diversas pesquisas também apontam o constante crescimento no número de mulheres empreendedoras e bem-sucedidas profissionalmente.

Para se ter uma ideia, em 2018, as mulheres já representavam 48,7% dos empreendedores do país, de acordo com a Global Entrepreunership Monitor. E, para dar continuidade a esse processo, é importantíssimo que as mulheres desenvolvam, cada vez mais, um novo olhar sobre si mesmas, para que possam reconhecer e se apropriar de suas qualidades.

Reconheça, integre-se e inicie o seu processo

“Presença é quando todos os seus sentidos coincidem”. Esta frase, atribuída à dupla musical composta por um árabe e um canadense, Majid Jordan, é citada pela aclamada psicóloga e professora de Harvard Amy Cuddy, no livro “O Poder da Presença”, lançado em 2015. Na jornada de autoconhecimento exigida pelo processo de autoliderança, esta afirmação faz todo sentido, afinal, os diferentes elementos do “eu” precisam estar contingenciados em equilíbrio para que possamos nos dedicar verdadeiramente a uma situação, seja ela pessoal ou profissional.

A liderança feminina se torna presente e forte quando conseguimos ser autênticas, alinhadas, sincronizadas com nossas emoções, pensamentos, expressões físicas e faciais, comportamentos, com tudo isso em harmonia. Se nossas atitudes forem coerentes com nossos valores, nos sentiremos fiéis a nós mesmas e as nossas emoções nos tornam mais genuínas, gerando forte autoconfiança interior.

Carl Jung, fundador da psicologia analítica, defendia que o processo mais importante no desenvolvimento humano era integrar as diferentes partes do eu: o consciente com o inconsciente, o disposicional com o experimental, o congruente com o incongruente. Todos juntos, foram nomeados como processo constante de individualização, ou seja, é a sua “verdadeira personalidade”.

Para as mulheres, a consciência e a concretização deste processo é, também, a celebração de uma quebra de paradigmas, afinal, tivemos muitas conquistas tardias, inclusive da capacidade de estar presente e atingir postos de liderança em muitos espaços em que, há poucas décadas, isso seria inimaginável. Ainda acumulamos papéis e existem dicotomias associadas de maneira mais forte à mulher, mas quando ela consegue se reconhece como um ser único – agregando diferenciais relativos a aspectos pessoais e profissionais – seu poder se ressalta.

Quando a mulher valoriza suas qualidades intrínsecas, respeita suas características individuais e as direciona para o seu crescimento, pode encontrar o equilíbrio em todas as esferas.

Portanto, acredite na sua própria história. Aprenda a se impor aos grandes desafios e assuma o controle da sua vida pessoal e profissional.

Exercício prático

Para que você possa desenvolver melhor sua liderança feminina e autenticidade no seu trabalho, te convido a fazer um breve exercício:

1. Liste quais são as três palavras que melhor te descrevem como feminina?

2. O que você tem de único que te leva aos teus momentos mais felizes e ao seu melhor desempenho?

3. Reflita sobre um momento especial no seu trabalho que você agiu de uma forma que lhe pareceu natural ou certa. Agora pense como você pode repetir esse comportamento hoje?

4. Quais são os teus principais pontos fortes como líder, que são a sua marca? Como você pode fazer mais uso deles?

Agora que você identificou seus valores, atributos e forças que melhor te representam, avalie se você acredita e confia neles. Tudo que você revelou até aqui só terá valor real se contar uma parte importante da sua história pessoal e se você acredita nela.

Se você não acreditar, por que outra pessoa acreditaria?

Expressar o poder feminino e acreditar nele vai ajudar a superar ameaças que podem te derrubar durante grandes desafios, te ajudará a se impor diante eles.

Outro ponto bem relevante é o quanto temos o poder de convencer pela nossa presença, conhecer quando sentimos e vivemos ela no nosso dia a dia.

Estar presente, de fato, é o ato de liderança. Nos meus processos de coaching, trabalho três aspectos que considero relevantes e que estão relacionados à presença que gera autoridade feminina:

1.Competência: você sabe que está fazendo o trabalho, precisa ser boa no que faz, tem o domínio do seu papel, mas não mede esforços para que as coisas aconteçam. Não espera orientações adicionais: se antecipa, age.

2. Credibilidade: os colegas dizem que você está fazendo um bom trabalho. A confiança é valiosa e aparece quando as pessoas sabem que você é confiável. Você faz muito bem seu trabalho e os outros confiam em você.

3. Confiança: os colegas te elegem como a pessoa certa para o cargo, com a confiança deles, que é crucial para a presença de liderança.

Se você é uma líder e manifesta competência, credibilidade e confiança, com certeza inspira outras mulheres a te seguirem. Um dos ensinamentos de James McGregor Burns aponta que “os líderes têm sucesso quando as opiniões do líder e dos seguidores se tornam uma só”.

A pergunta que eu te faço hoje é: onde você está inserida, as pessoas querem, de fato, fazer o que você pede? Elas confiam em você como liderança?

Esse é um breve contexto da importância da presença de liderança. Como coach, trabalho com questões específicas. O que você mulher pode fazer para descobrir e alimentar um senso de presença?

Trabalho áreas específicas de desenvolvimento, o que permite explorar cada uma delas transferindo para o processo de desenvolvimento, autodesenvolvimento. De uma forma geral como você pode praticar a implementação da presença de liderança por meio da autoconfiança e da autoconsciência.

“Comece em você e por você a transformação que você quer ver na liderança feminina”.

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Fontes:

CUDDY, Amy. O poder da presença. Rio de Janeiro: Sextante, 2016.

DOYLE, Glennon. Indomável. 1ª ed. São Paulo: HarperCollins Brasil, 2020.

GRECO, Simara Maria de Souza Silveira et. al. Global Entrepreneurship Monitor: Empreendedorismo no Brasil 2018. Curitiba: IBQP, 2019.

ZENGER, Jack; FOLKMAN, Joseph. Research: Women Are Better Leaders During a Crisis. In: Harvard Business Review: dezembro, 2020.

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