Emoções de onde vem

Emoções: de onde vêm e como elas geram sentimento?

Emoções e sentimentos são termos recorrentes quando falamos sobre inteligência emocional. Mas você sabe, de fato, o significado de cada um deles?

Não, não é tudo a mesma coisa!

Apesar de muitas pessoas usarem essas palavras como sinônimos, elas carregam significados diferentes, embora, de interdependência entre si.

Vamos bater um papo sobre isso!

Emoções geram sentimentos

Como eu já te adiantei lá no título, as emoções são as responsáveis por gerar os nossos sentimentos. A emoção é uma reação do cérebro a um estímulo ambiental, como um conflito, um reencontro, momentos alegres ou de solidão.

Exemplos de emoções: alegria, surpresa, pânico, raiva.

Ou seja, são reações bastante instintivas, que surgem dentro de nós a partir do que vivenciamos no cotidiano.

Mas e aquela sensação prolongada que fica depois?

É aí que surgem os sentimentos, como resultados das nossas experiências emocionais. Eles são, basicamente, o reflexo de como nos sentimos frente a uma emoção.

Exemplos de sentimentos: amor, felicidade, ódio, inveja, compaixão, decepção.

Quer um exemplo mais concreto sobre essa diferença e como eles se relacionam?

Muitas pessoas simplesmente odeiam despedidas, mesmo que a despedida em questão não esteja associada a um envolvimento emocional profundo com a pessoa que está indo embora.

Porém, para estas pessoas, o episódio da despedida remete a sentimentos vivenciados anteriormente, como abandono, saudade e tristeza.

Por isso, muitas pessoas vivenciam os chamados “gatilhos emocionais”, que significam experimentar novamente um determinado sentimento pela simples associação a uma emoção que está sendo vivenciada, por mais que não fosse “racional” sentir aquilo, naquele momento.

Quer mais uma diferença entre eles?

Dizem que podemos disfarçar os nossos sentimentos, mas não somos capazes de ocultar as emoções. Elas são instantâneas, repentinas, irrefletidas. Já os sentimentos, são aquilo que carregamos conosco, no nosso íntimo, depois de matutar sobre as questões.

Se os sentimentos podem se modificar? Podem sim.

Aliás, no que diz respeito a nós mesmos, tudo pode ser trabalhado e mudado, desde que seja compreendido.

Que tal dar início a este processo agora mesmo?

8 passos para entender e lidar com a raiva

Agora que você já sabe a diferença entre emoções e sentimentos, quero te mostrar exemplos práticos de exercícios utilizados por mim e que funcionam!

Tomemos como exemplo a raiva: ela tem péssima reputação, pois está associada à violência e agressividade. No entanto, ela tem aspectos positivos. Sem ela, é difícil fazer com que nossos direitos sejam respeitados e buscar mudanças às coisas que precisam ser transformadas ao nosso redor.

Descobrindo como domar essa emoção, podemos neutralizar os aspectos negativos e canalizar a energia que ela cria dentro de nós a nosso favor.

Vamos aos exercícios?

1. Primeiro, você precisa descobrir como você enxerga a raiva. Pegue uma caneta e um papel e anote todas as palavras que vêm na sua cabeça quando você pensa em “raiva”.

2. Sublinhe em verde aquelas que têm conotação positiva e em vermelho as que parecem negativas.

3. Faça as contas e descubra se você considera a raiva essencialmente negativa (perigosa, violenta, destrutiva) ou se consegue identificar os aspectos positivos desta emoção.

Não conseguiu enxergar muitos pontos positivos? Bem, vou te apresentar alguns:

– Mobilização de energia (principalmente para se defender)

– Incentivo para mudanças

– Força para fazer com que respeitem seus limites

– Intimidação para não deixar que os outros pisem em você

Viu como a raiva são é essencialmente ruim ou boa? São a expressão e a utilização dela que geram resultados diferentes.

Talvez você me pergunte agora, “mas como posso controlar a raiva para usar esses aspectos positivos a meu favor? ”… Eu sei, não é nada fácil, afinal essa emoção gera muitos aspectos fisiológicos no nosso corpo.

Podemos experimentar reações físicas, como aumento das frequências respiratória e cardíaca, elevação da temperatura corporal e aquelas expressões clássicas do semblante e punhos fechados.

Voltemos ao nosso exercício:

4. Anote as modificações corporais que você percebe conscientemente quando está com raiva.

5. Você consegue controlar essas modificações do seu corpo?

Quem comanda essa parte no nosso organismo é o sistema nervoso autônomo (SNA). É o mesmo sistema que gerencia funções vitais automáticas e inconscientes, como respirar, e é por isso que temos dificuldade em moldá-las.

6. Na próxima vez em que você ficar com raiva, preste atenção à sua respiração e à tensão dos seus membros. Com os braços soltos junto ao corpo, relaxe e descontraia suas mãos e pratique respiração abdominal, inflando a barriga a cada inspiração e esvaziando completamente, como se quisesse aspirá-la para dentro de você, a cada expiração. Isso ajuda a diminuir o ritmo da sua respiração.

Administrar a raiva é algo que todos nós precisamos fazer, afinal, nosso cérebro foi programado para experimentar essa emoção. Mais que isso: ela tem uma utilidade para a nossa sobrevivência.

A raiva surge quando nossos planos são atrapalhados ou mediante a apresentação de obstáculos no nosso caminho, em circunstâncias que, normalmente, fogem ao nosso controle.

Ficar presa no trânsito, computador travando, ser criticada pelo seu parceiro, ou a desobediência dos nossos filhos podem desencadear essa emoção dentro de você.

Os obstáculos podem ser circunstâncias e, vale destacar também, que a sensação de injustiça é um obstáculo àquilo que consideramos ideal.

A raiva é a nossa reação ao obstáculo. É uma emoção passageira, mas que mobiliza a nossa energia para nos ajudar a superá-lo.

Já ouviu aquela expressão “movido pela força da raiva”? É mais ou menos isso!

7. Pegue papel e caneta e releia as quatro situações citadas acima. Você consegue listar os obstáculos presentes nelas?

Agora que você consegue perceber, de maneira mais racional, qual é o problema, vamos descobrir a utilidade da raiva.

8. Liste quatro situações em que você tenha sentido raiva. Olhe para elas e tente identificar qual o ponto em comum de todas essas situações.

Como você já pode perceber, a raiva é uma reação passageira, que surge diante de obstáculos, mobilizando nossas energias. Agora que você já consegue percebê-la de maneira diferente, que tal trabalhar para usá-la a seu favor?

Fontes:

CEZAR, Adieliton Tavares  e  JUCA-VASCONCELOS, Helena Pinheiro. Diferenciando sensações, sentimentos e emoções: uma articulação com a abordagem gestáltica.IGT rede [online]. 2016, vol.13, n.24 [citado  2021-03-21], pp. 04-14 . Disponível em: <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1807-25262016000100002&lng=pt&nrm=iso>. ISSN 1807-2526. THALMANN, Yves-THALMANN, Yves-

Alexandre. Caderno de exercícios para viver sua raiva de forma positiva. Petrópolis, RJ: Vozes, 2015.

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