Estudos e pesquisas apontam que todas as pessoas mentem. Fato é que todos mentem, em todas as idades e pasmem, a mentira pode começar aos 6 meses.

É isso mesmo. Já parou para pensar que seu bebê aprendeu que se ele chorar você dá atenção e cuidados, então ele usa esta estratégia para chamar sua atenção, mesmo quando está de fralda trocada, na temperatura certa e bem alimentado. 

Conforme vão crescendo, a prática da mentira pode ir sendo explorada em diferente situações. Nas crianças menores de 2 anos, a mentira pode acontecer através de gestos e olhares quando os pais chamam a atenção.

Também precisamos estar cientes que, quando a criança está na média entre 2 e 4 anos de idade, não devemos considerar uma real mentira, já que é uma fase em que não elas não sabem distinguir a fantasia da realidade. São aqueles momentos em que chegam a falar de voar das escadas, ficar invisível, e muito mais.

As crianças a partir dos 4 anos conseguem compreender quando uma mentira pode prejudicar alguém ou não. E, normalmente possuem dois aspectos: evitar castigo ou conseguir algo que deseja muito.

Mas porque meus filhos mentem?

As crianças se sentem “autorizadas” a mentir quando ouvem os pais mentindo. Aqui temos o velho ditado “Faça o que digo, não faça o que eu faço”. Então a resposta para a sua pergunta é….

Que tal começar diminuindo as suas mentiras? Você não mente? Será?

Caímos na armadinha frequentemente, não precisa ser uma “mentira cabeluda”!

Sabe aquela promessa de ir no parque mais tarde, bate aquela preguiça e não vão….

Levar para vacina e convencer que não irá sentir nadinha, já falou com a enfermeira e não sentirá nada! Mas a criança sente, nem que seja uma picada ou sente mais, temos diferentes sensibilidades!

Dizer que depois vai brincar com ela e não brinca….

Prometer que na volta passamos na loja e compramos, mas não passam na loja e muito menos compram.

São mentiras que não percebemos, mas que podem desenvolver a prática da “mentirinha”!

A criança mente para:

  • Atender as expectativas externas;
  • Não se satisfazer com os resultados que obtém;
  • Comparar-se aos outros porque não está satisfeito sendo o que é e como age;
  • Para não se sentir deslocada, inadequada;
  • Imaginação e fantasia fluida (fronteira não bem definida entre a fantasia e a realidade).

Suas perguntas levam a criança a mentir!

Se a professora relatar um problema ocorrido em sala de aula entre o seu filho e um colega por causa de um lápis, muito pais já chegam em casa fazendo a seguinte pergunta: “Por que você pegou o lápis do seu amigo?” Certamente a resposta será “Eu não peguei, ele me deu!” ou “Eu não peguei, foi o fulano”, justamente para evitar a temida punição. Mudando apenas a forma de abordagem – de uma pergunta para uma explicação – você tem a possibilidade de orientar a criança que não deve pegar aquilo que não é seu.

Mais confiança, menos mentiras

Elogiar o processo e não o resultado reforça a relação de confiança dentro do sistema familiar. Quando você diz “Que legal que você se esforçou” ao invés usar a frase “como você é inteligente!”, você fomenta a honestidade e estimula a criança a se esforçar ainda mais no futuro, minimizando as chances dela mentir caso não tenha ido tão bem assim. Quanto mais claros os pais forem sobre o que estão valorizando no comportamento infantil, mais ela entenderá.

É mais eficiente elogiar a verdade do que punir a mentira

Valorize a honestidade e ensine seu filho a não mentir: “ensinar a honestidade, mesmo quando ela tem consequências adversas, é essencial para as crianças fortalecerem seus laços com sua família e com todos de seu convívio.

A forma como reagimos à mentira das crianças, também pode estimular a honestidade futura. Se usarmos a expressão “obrigada por me contar a verdade” a fala irá enviar um sinal positivo à criança. É de grande importância conscientizá-la de dizer a verdade, mostrando que seus atos, seus comportamentos geram responsabilidades que devem ser assumidas.

  • Evite rotular a criança;
  • Esclarecer que existem outras opções sem ser a mentira;
  • Não dar oportunidade à mentira. Exemplo: Se você sabe que seu filho não fez os trabalhos da escola, porque perguntar se estão feitos? Prefira dar apoio ao seu filho, pergunte: Como fazer para que você possa realizar o trabalho que a professora passou? Será que você está sentindo dificuldades e eu possa te ajudar?
  • Elogiar e valorizar o comportamento positivo, mesmo que tenha feito algo que não deveria, mas por ter falado a verdade, ao invés de brigar, apoie, se coloque à disposição para ajudá-lo a reparar o erro. Reconheça a coragem da criança em expor a verdade.

Dica para os pais

– Ler histórias sobre personagens que cometiam erros e mentiras e os desdobramentos disso, ajuda a tornar os efeitos da mentira e da trapaça mais palpáveis para as crianças.

– Estimular a honestidade em crianças pode ser por meio de acordos verbais detalhados com as crianças. Por exemplo, se você quer que seu filho lave a louça, mas ele está assistindo TV, a sugestão é em vez de aceitar apenas que ele diga “vou lavar a louça depois”, fazer com que ele se comprometa verbalmente com algo como “vou colocar o alarme para 30 minutos e daí vou lavar a louça”. Isso torna mais concreta a expectativa de o que é esperado dele.

– Conter o impulso de oferecer recompensas em troca de comportamentos. A recompensa vai mudar a motivação da criança de completar um desafio para ganhar o doce, e aumentar a probabilidade de que ela recorra a trapaças.

Embora contar mentiras seja parte natural de todo ser humano, consequentemente do desenvolvimento infantil, ela pode passar dos limites. Neste caso, se a mentira estiver associada a outros comportamentos mais agressivos ou se for muito frequente, busque um apoio profissional, que ajude a identificar o que no ambiente ou nas relações pode estar impedindo a criança de contar a verdade.

Desenvolver as emoções desde a infância, ajudará seu filho a ser um adulto seguro e melhor preparado para enfrentar os desafios da vida.

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